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Freios

dicas-santotorque-novoCuidados com os Freios

Saber diagnosticar e reparar um sistema de freios é um quesito obrigatório para qualquer cidadão que almeja ser chamado de "mecânico de automóveis". E não é por menos, grande parte da segurança do veículo se apóia no correto funcionamento desse importante mecanismo.

O sistema de freios tem por função dissipar a energia cinética acumulada no veículo, parando-o ou reduzindo a sua velocidade, mantendo, dentro do possível, a sua estabilidade e dirigibilidade.

Observe a fórmula:
Ec = ½ x m x v²

Ou seja,

Ec = energia cinética
m = massa do veículo
v = velocidade do veículo

A forma de dissipação mais conhecida e há muito utilizada é a transformação em calor, por meio de um conjunto de peças que se atritam umas contra as outras. Esse método, apesar de parecer arcaico e tosco, tem se mostrado extremamente eficiente e confiável ao longo dos séculos. No entanto, não é incomum encontrar outras formas de dissipação que auxiliam o sistema por atrito. Nos veículos pesados modernos encontram-se freio motor e retardadores hidráulicos ou magnéticos. Além disso, alguns veículos esportivos, de altíssima performance, assim como as aeronaves, dispõem de dispositivos que movimentam superfícies, que aumentam a resistência aerodinâmica do veículo, auxiliando o processo de frenagem.

O mecanismo de acionamento do sistema por atrito teve seu início como um conjunto de alavancas, que multiplicavam o esforço aplicado pelo condutor sobre os materiais de desgaste. Posteriormente, com o aumento do peso e da velocidade média dos veículos, as alavancas foram substituídas por dispositivos hidráulicos ou pneumáticos que, além de diminuir o esforço do condutor, permitiam uma melhor distribuição da força aplicada. Como resultado obteve-se uma maior eficiência de frenagem e estabilidade do veículo. Por fim, a inclusão da eletrônica tornou os sistemas ainda mais eficientes e confiáveis, no que diz respeito à segurança.

Mas o que o mecânico tem a ver com isso? Ora, simplesmente tudo! A evolução dos sistemas trouxe a necessidade de procedimentos de manutenção mais complexos e elaborados, obrigando o "Guerreiro das Oficinas" a buscar aprimoramento e atualização profissional. Não se pode diagnosticar e reparar um sistema de freios moderno da mesma forma que se fazia a 30 ou 40 anos atrás, embora alguns "conceitos básicos" tenham se mantido intactos.

Um ponto muito importante: treinamento, literatura técnica, ferramentas especiais e equipamentos são realmente indispensáveis para a realização de um bom trabalho. Mas quando o reparador faz uma intervenção no sistema de segurança do veículo, é crucial que ele faça uso de uma outra ferramenta que não se pode comprar, fabricar ou emprestar: a ética. Afinal de contas, a segurança de uma ou mais pessoas depende diretamente do perfeito funcionamento desse sistema.

Dicas:

1) Respeito às medidas:
Os elementos de desgaste (discos, pastilhas, tambores e lonas) possuem medidas limite para a sua substituição. Respeitar rigorosamente essas especificações, por mais "dolorido" que seja para o bolso do cliente, diminui muito o risco do sistema apresentar "vícios pós-reparo", ou mesmo, entrar em pane numa situação de emergência. Confira sempre as medidas das peças que sofreram usinagem.

2) A peça certa no lugar certo:
Definitivamente, o sistema de freios não é lugar para se tentar adaptações. Se a peça de reposição específica do veículo não está disponível é melhor deixá-lo parado até que seja entregue. Na justiça tramitam centenas de casos onde o cliente, que agradeceu imensamente a "liberação antecipada" do seu veículo, processou posteriormente o reparador por negligência.

3) Conferência do empenamento e da ovalização:
Quando discos e tambores são submetidos ao processo de usinagem para a eliminação de rebarbas (retífica) é muito importante conferir, com o auxílio de um relógio comparador e de uma base magnética, se existem empenamentos ou ovalizações residuais no conjunto girante. Essas imperfeições, frutos de um torno desgastado ou de uma má fixação da peça no mesmo, podem provocar sintomas como trepidações e vibrações durante a frenagem. Um detalhe, que não pode ser deixado de lado, quando possível, é a conferência do empenamento do cubo da roda. Por muitas vezes, o disco foi corretamente usinado, sendo a origem da trepidação um empenamento do cubo.

4) Não descuide da limpeza:
E quem foi que disse que "serviço de freio" é um "trabalho sujo"? Muito pelo contrário! A sujeira provoca problemas de montagem, falsos empenamentos (cubo de roda), contaminações do fluido e interferência nos sensores de velocidade do freio ABS, cujas consequências podem ser desastrosas.

5) Examine os flexíveis e procure vazamentos:
Tão importante quanto examinar o estado dos materiais de desgaste e o nível do fluido é verificar o estado dos flexíveis. Um flexível deteriorado pode romper durante uma situação de emergência. A presença de trincas e / ou micro vazamentos indica a necessidade de troca.

6) Substituição do fluido:
O fluido de freio é higroscópico, ou seja, naturalmente absorve água. Isso faz com que seu ponto de ebulição diminua com o passar do tempo. Se ficar muito baixo, o fluido pode ferver durante uma freada. Resultado: acidente. Além disso, absorve as impurezas que são geradas pelo desgaste das peças móveis internas do sistema. Essas impurezas (abrasivas), além de interferir com o ponto de ebulição, aceleram ainda mais o desgaste dos componentes. Por essa razão, é imprescindível a substituição periódica do mesmo. Se os freios forem do tipo ABS, geralmente equipados com centrais hidráulicas sensíveis e bastante caras, essa substituição se torna mais importante ainda. No entanto, essa operação deve ser feita seguindo rigorosamente as recomendações do fabricante do veículo: tipo de fluido, período e procedimento. O uso de um equipamento apropriado (elétrico ou pneumático) pode facilitar muito o trabalho.

7) "Sangria"? Só do jeito certo:
Cada fabricante costuma especificar uma sequência para a realização da "sangria" dos freios. Obedecer a essa recomendação poupa tempo de serviço, fluido e as vedações internas do cilindro mestre, visto que o pedal será acionado menos vezes. E lembre-se: nunca acione o pedal até o final do seu curso. O uso de um equipamento apropriado (elétrico ou pneumático) pode facilitar muito o trabalho, além de poupar as vedações. O uso do vasilhame com fluido na saída do sangrador, além de evitar que bolhas de ar retornem ao circuito, mantém o piso da oficina limpo. Se os freios forem do tipo ABS, tome alguns cuidados a mais:

a) A sangria deve ser feita, preferencialmente, com o auxílio do equipamento apropriado, porém seguindo, obrigatoriamente, a sequência definida pelo fabricante;
b) Alguns sistemas requerem o auxílio do scanner, que aciona a bomba do grupo hidráulico, além de abrir e fechar as eletroválvulas apropriadas.

Logo, é importante se informar das características do sistema antes de começar o serviço.

8) Atenção na hora de trocar as pastilhas nos freios ABS:
Abrir o sangrador, quando se afastam os êmbolos da pinça, durante a substituição das pastilhas nos freios convencionais, é uma recomendação bastante conhecida pelos "Guerreiros das Oficinas". No entanto, quando se fala em freios ABS, o que era recomendação passa a ser uma obrigação. E mais: um grande fabricante de sistemas ABS recomenda também bloquear o flexível, na região da pinça, com o auxílio de uma ferramenta especial. Dessa forma, evita-se que fluido sujo retorne a central hidráulica, poupando a mesma.
 
9) Fixação das lonas:
Quando as lonas de freio são rebitadas às sapatas, deve-se tomar um cuidado especial na hora de se comprimir os rebites. Pouca força faz com que as lonas se soltem. Força demasiada pode provocar a quebra das mesmas. O ideal é utilizar um equipamento que aplique exatamente a força recomendada pelo fabricante do veículo. O mesmo cuidado deve ser tomado na hora de selecionar o rebite: se não for o genuíno, pelo menos um de qualidade comprovada.

10) O reservatório está bem tampado?
Manter um reservatório de fluido bem tampado evita a contaminação do mesmo por poeira, além de retardar o processo de absorção de água. Sobretudo, nos veículos mais modernos cujos reservatórios possuem tampas bem eficientes. A atenção deve ser redobrada nos veículos que sofreram lavagem do compartimento do motor.

11) Só conserte aquilo que pode ser consertado:
Não tente reparar aquilo que o fabricante considera descartável. A partir do momento que o reparador "conserta" algo que o fabricante descarta, ele assume inteira responsabilidade pelo componente e pelas consequências que o reparo possa provocar. Além do mais, nos dias de hoje, o reparo de um componente nem sempre é economicamente viável. Nunca mande fabricar peças. Quando necessário, opte por peças genuínas ou pelos recondicionamentos feitos pelo próprio fabricante, que oferecerá a devida garantia.